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Um novo e forte empenho científico sobre o uso medicinal de preparações da planta Cannabis sativa, os canabinóides, trouxe fatos, evidências e provas de sua importância para a saúde e foi uma tragédia para a humanidade ter sido incluída em 1961 na Convenção das Nações Unidas sobre entorpecentes como uma droga sem uso medicinal. Devemos aos pacientes que sofriam de dor crônica, oncológica, depressão, insônia, distúrbios neurológicos e convulsivos, essa nova forma de ter e poder usar esses produtos.

Em 1990 descobriu-se que há receptores de Cannabis no cérebro e no corpo, enfim um verdadeiro sistema endocanabinóico relacionado ao controle de importantes funções biológicas, como cognição, memória, dor, sono e funcionamento imunológico, mas as pesquisas eram incipientes por conta daquela equivocada classificação.

Na década de 1990, pessoas do mundo inteiro, especialmente dos EUA, fizeram petições para revisão daquela classificação, resultando em aprovação de referendos, que legalizaram o uso medicinal da Cannabis para pessoas com a variedade de doenças acima anunciadas.

O Canadá em 1999, em decorrência de decisões judiciais solicitando autorização para o uso, introduziu um programa de cannabis medicinal que se prolonga até hoje.

Em 2001, Israel, em 2003, Holanda, em 2011, Suíça, em 2013, República Tcheca, em 2016, Austrália, em 2017, Alemanha, legislaram para permitir o uso medicinal da Cannabis e os ensaios clínicos subsequentes deram a base para a concessão de uma autorização de comercialização em muitos Estados Membros da União Européia.


Ter autorização significa que um pedido foi submetido às autoridades reguladoras que o concederam e isso implica na verificação do plantio, colheita, análise de material e posteriormente que o produto passará por vários testes clínicos e que a segurança, eficácia e efeitos colaterais foram examinados pelos Ministérios competentes, para a final ser comercializado.

A Cannabis contém centenas de substâncias químicas. Mais de 100 delas são conhecidas como canabinóides. Eles estão nos tricomas, cabelos claros e minúsculos que se projetam das flores e folhas das plantas. Esses canabinóides tem efeitos nos receptores celulares do cérebro e corpo e podem mudar a forma como essas células se comportam e se comunicam umas com as outras.

O canabinóide mais pesquisado é o THC (tetrahidrocanabinol). Ele é responsável pela forma como seu cérebro e corpo respondem à cannabis. A potência (concentração ou força) do THC é frequentemente mostrada como uma porcentagem do THC por peso ou volume de um óleo que é em média de 15% podendo chegar à 30%. E nessas porcentagens tem o princípio psicoativo e provoca efeito psicotrópico, o “barato” correspondente.

A Cannabis que contém quantidades muito baixas de THC nas flores e folhas (menos de 0,3%) é classificada como cânhamo.

Outro canabinóide é o CBD (canabidiol) que não possui efeito psicotrópico e tem inúmeros efeitos terapêuticos. Deve ser usada sob supervisão médica. É a denominada Cannabis medicinal. Ensaios clínicos randomizados informam que a Cannabis é útil no tratamento da dor, espasmos, náuseas, anorexia e convulsões, dor neuropática, dentre outros e não apresentou nenhum efeito adverso sério.

A maior evidência científica é sua eficácia no tratamento das síndromes de epilepsia infantil mais cruéis como a de Dravet e a de Lennox-Gastaut que não respondem a outros medicamentos. Em vários estudos, o CBD reduziu as convulsões e em alguns casos as interrompeu por completo.

A Cannabis medicinal é administrada por vaporização (infusões), fumo ou em preparações comestíveis, concentrados, cápsulas e tópicos. É vendido como suplemento e não como medicamento e o objetivo principal de seu uso é o alívio dos sintomas, a cura e a melhoria da função e da qualidade da vida em geral.


O tamanho do mercado global da indústria farmacêutica foi avaliado em U$ 1,7 trilhões em 2019 segundo o relatório da Statista e deve crescer a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 5% a 8% de 2020 a 2024; a AstraZeneca em 2020, investiu U$ 133 milhões para expandir sua fábrica na Austrália e a PCI Pharma Services expandiu a Tredegar no Reino Unido para medicamento de Alta Potência. Operações inteligentes, integradas e ricas em dados resultam na produção desses medicamentos com maior precisão e custos reduzidos atraindo mais consumidores pela facilidade do uso, segurança do produto e dosagem precisa, enfim a qualidade que exigem.

O tamanho do mercado global da maconha medicinal impulsionado pelas crescentes pesquisas e desenvolvimento bem como apoio financeiro de governos e Empresas, segundo a GrandViewResearch deve chegar a U$ 73,6 bilhões até 2027, se expandindo a um CAGR de 18,1% de 2018 a 2027.

As crescentes legalizações da Cannabis para uso médico e também para uso adulto promoverá seu crescimento.
O segmento da dor crônica liderou o mercado em 2019. A aplicação para distúrbios mentais, ansiedade, depressão e Alzheimer é crescente.

A América do Norte liderou o setor com 88,4% em 2019 devido a expansão das legalizações e ao liberalismo das regulamentações. A legalização no Canadá, Austrália, Polônia, Alemanha e Israel deve promover também o crescimento desse Mercado e criar oportunidades lucrativas para seus investidores.